Olá, leitores que ainda estão aqui, e também olá para os que já se foram. Sou Clarilda, a adolescente que morreu anos atrás de frente o computador, e agora está presa na internet, contando histórias.
Hoje vou contar a história de um casal muito interessante, os Ribirots. José Ribirot e Maria Ribirot viviam felizes em sua casa, que ficava naquela esquina perto daquela rua. O bairro, claro, era o daquela cidade, perto do viaduto.
No entanto, é preciso dizer que nenhum casal é 100% feliz, e sempre há as diferenças. Com esse, não era diferente. Muitas das vezes, José Ribirot e Maria Ribirot discutiam sobre coisas que um havia dito dizer, e o outro havia dito não dizer (espero que tenham entendido).
- Mas, querida, eu já tinha te avisado sobre isso antes. Você se esqueceu?
- Não, querido! Você não disse. Você pensa que avisou.
- Não senhora! Eu tenho certeza!
- E eu tenho certeza que você não avisou.
No começo fora apenas uma pequena discussão. É engraçado, leitor, dizer que “discussão” foi pequena, sendo que a palavra tem um “ão” no final. Mas é verdade. Não foi um “discussinho”, e sim uma “pequena discussÃO”.
Mas depois, aquilo foi virando rotina, e José Ribirot ficava cada vez mais estressado, quando sua mulher fazia algo contrariando algo que ele já dissera. E ela dizia: ele não dissera.
- Mas, querida! E já tinha te avisado! Como pode?
- Querido, querido... você só pode estar ficando maluco. Você não me avisou nada!
Mas José Ribirot tinha certeza absoluta de que tinha avisado. Chegou a se observar mais quando dava avisos à esposa. Tentava marcar mais aqueles momentos de avisos. E mesmo assim, ela sempre dizia que ele não havia avisado. E o pior de tudo, é que ela realmente não parecia estar mentindo.
José Ribirot chegou a filmar um momento em que dava um aviso para Maria. E nem assim deu certo...
- Mas, querida! Está tudo aqui filmado! Viu? Eu tinha te avisado!
- Não, meu querido. Pra mim você não avisou nada.
- Mas...
Então, nesse momento dos 3 pontinhos depois da palavra “mas”, José Ribirot teve a resposta. Uma pessoa entrou na sala, mexendo um espanador. José levou um susto de cara, pois parecia algo impossível, mas ao mesmo tempo teve todas as respostas que queria.
- Maria? – disse Maria Ribirot.
- Sim? – respondeu Maria Ribirot.
- Por acaso foi para você que o José avisou sobre o que está no vídeo?
- Sim. Foi para mim. Eu já estava avisada sobre isso, José, meu querido. Me desculpe.
José estava pasmo. Como aquilo era possível? O tempo todo ele estava certo sobre seus avisos... só não estava avisando para a mesma Maria Ribirot sempre!
- C-como pode isso?? – ele perguntou. – Vocês são gêmeas?
- Não. – respondeu uma Maria. – Somos duas Marias Ribirots, com o mesmo nome, sobrenome, tipo sangüineo e até CPF. Já se esqueceu, José?
- É! – disse a outra. – Que tipo de pergunta é essa que você está fazendo?
- E-eu... – disse José, ainda confuso. – Que história é essa?? Todos esses anos... eu nunca soube que morava com duas pessoas iguais!!
Então, ambas disseram:
- Mas, querido! Nós já tínhamos te avisado!!
Eu sou Clarilda, e não se esqueçam: cerca elétrica e tranca nas portas não impedem fantasmas de entrar na sua casa.
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
Crônicas da Cripta – Disse ou não disse?
Dito (ou não dito?) por Ciro M. Costa
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José Rafaskos, agora a Clarilda... que outro bom personagem vai trazer de volta, Ciro? Gato Chompsky? Ursinho Kirsby?
Eu e minha filha mal podemos esperar.
Abraço fraterno!
huaihiauhaiuha....
Boooooaaa, Cirão...
Só você pra criar um história que tinha tudo pra nos confundir, mas foi bem clara no final... hahahaha
Aiuhiauhaihaiauhiahiuahia!!!
"- Mas, querido! Nós já tínhamos te avisado!!"
Ótima! Bem que eu avisei...
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